Vida e obra
Biografia
Descendente de uma família
tradicional do nordeste brasileiro, João Cabral de Melo Neto nasceu
na cidade do Recife, em janeiro de 1920, filho de Luís Antônio
Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo. Passou
a infância nos engenhos de açúcar do interior de Pernambuco, nos
municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Na capital pernambucana,
estudou em colégio religioso – dos Irmãos Maristas – até formar-se.
No final dos anos 1930, freqüentava o Café Lafayette, reduto de
intelectuais como o escritor Willy Lewin e do pintor Vicente do
Rego Monteiro, que regressara de Paris por causa da II Guerra
Mundial. Em 1942, João Cabral lançou seu primeiro livro, Pedra
do sono, sob a influência do surrealismo. Nesse mesmo ano,
transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde freqüentava os pontos
de encontro dos literatos cariocas. Três anos mais tarde, publicou
O engenheiro, patrocinado pelo amigo poeta Augusto Frederico
Schmidt.
Ainda em 1945, foi aprovado em concurso para a carreira diplomática e passou a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty. Em 1947, foi transferido para o consulado-geral do Brasil em Barcelona (Espanha) como vice-cônsul. Lá, conheceu o poeta Joan Brossa e os artistas plásticos Antoni Tàpies e Joan Miró. As influências culturais hispânicas, principalmente as experiências vividas em Sevilha, permearam toda sua obra.
Em 1946, casou-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira, no Rio de Janeiro, com quem teve seus filhos.Foi transferido para a embaixada de Londres (Inglaterra), em 1950. Porém, acusado de divulgar idéias comunistas, foi obrigado a retornar ao Brasil, onde respondeu inquérito e permaneceu à disposição do Itamaraty. Apenas em 1954, João Cabral retomou suas atividades diplomáticas, tendo percorrido inúmeros países, na Europa, África e América Latina.
Em 15 de agosto de 1968, foi eleito por unanimidade membro da Academia Brasileira de Letras e passou a ocupar a cadeira número 37, que pertencera a Assis Chateaubriand.
Durante os anos que viveu no exterior – intercalados por passagens pelo Brasil – João Cabral manteve uma constante atividade literária, com a produção de inúmeros livros de poemas que lhe renderam prêmios e homenagem, entre os quais o Prêmio José de Anchieta de Poesia, do IV Centenário de São Paulo (1954); o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras (1955); o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; e o Prêmio Jabuti (1993), da Câmara Brasileira do Livro, entre tantos outros.
Da sua extensa obra poética, além das já citadas, destacam-se O cão sem plumas (1950), O rio (1953), Duas águas: poemas reunidos (1956), que inclui os poemas “Morte e Vida Severina” e “Uma faca só lâmina”; Museu de tudo (1975); e A educação pela pedra (1966).
Viúvo da primeira esposa, João Cabral casou-se novamente, em 1986, com a também poetisa Marly de Oliveira. Apenas em 1987 voltou a residir no Rio de Janeiro.
Em 1990, João Cabral de Melo Neto aposentou-se no posto de Embaixador. Já quase impossibilitado de ler, passou o final de sua vida praticamente recluso em seu apartamento no Flamengo, bairro carioca, onde faleceu no dia 9 de outubro de 1999, aos 79 anos.
Livros do autor
- Pedra do Sono
- Os Três Mal-amados
- O Engenheiro
- Psicologia da Composição com a Fábula de Anfion e Antiode
- O Cão sem Plumas
- O Rio ou Relação da Viagem que Faz o Capibaribe de Sua Nascente à Cidade do Recife
- Dois Parlamentos
- Quaderna
- Morte e Vida Severina
- A Educação pela Pedra
- Museu de Tudo
- A Escola das Facas
- Auto do Frade
- Agrestes
- Crime na Calle Relator
- Primeiros Poemas
- Sevilha Andando
